Ser acusado de um crime que você afirma não ter cometido pode causar preocupação, principalmente quando existe um boletim de ocorrência, uma investigação policial ou até mesmo um processo criminal. Nessa situação, é comum surgir a dúvida: "O que eu posso fazer para me defender?"

A acusação, por si só, não significa que a pessoa seja culpada. No processo penal, a responsabilidade criminal precisa ser apurada de acordo com as provas produzidas e com o respeito ao direito de defesa.

Fui acusado de um crime. Isso significa que sou culpado?

Não.

A existência de uma acusação, de um boletim de ocorrência ou de uma investigação não equivale a uma condenação.

A Constituição Federal estabelece o princípio da presunção de inocência, segundo o qual ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.

Isso significa que a pessoa acusada possui o direito de apresentar sua versão dos fatos, produzir provas e exercer sua defesa ao longo da investigação e, se houver processo, da ação penal.

O que devo fazer depois de ser acusado?

O primeiro passo é manter a calma e evitar tomar atitudes impulsivas.

É recomendável procurar orientação jurídica antes de prestar declarações ou tomar qualquer medida que possa interferir na estratégia de defesa.

Também é importante reunir e preservar os elementos relacionados aos fatos.

Dependendo do caso, podem ser relevantes:

  • mensagens de WhatsApp;
  • e-mails;
  • fotografias;
  • vídeos;
  • documentos;
  • registros de chamadas;
  • comprovantes;
  • localização;
  • conversas anteriores;
  • testemunhas;
  • documentos que demonstrem onde a pessoa estava;
  • outros elementos relacionados ao episódio.

Quanto mais rapidamente as provas forem preservadas, menor o risco de que informações importantes sejam perdidas.

Fui chamado para prestar depoimento na delegacia. O que fazer?

Se você foi chamado para prestar esclarecimentos em uma investigação, é importante compreender em qual condição está sendo ouvido e qual é o objeto da apuração.

Dependendo da situação, a pessoa pode ser ouvida como testemunha, vítima, investigado ou em outra condição processual.

Antes de prestar declarações, é recomendável buscar orientação de um advogado criminalista para compreender os fatos investigados e os direitos envolvidos.

O direito de defesa e o direito ao silêncio são garantias importantes e devem ser analisados de acordo com a situação concreta.

Posso ficar em silêncio?

O direito ao silêncio é uma garantia constitucional e está relacionado ao princípio de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo.

Isso não significa que toda pessoa investigada deva permanecer em silêncio em qualquer situação.

A decisão sobre prestar declarações, responder determinadas perguntas ou exercer o direito ao silêncio deve considerar a estratégia de defesa e as circunstâncias da investigação.

Por isso, uma orientação jurídica prévia pode ser importante.

E se a acusação for falsa?

Se você entende que foi falsamente acusado, é importante não responder com ameaças, ofensas ou acusações sem fundamento.

A melhor estratégia é documentar os fatos e apresentar os elementos que possam demonstrar a realidade dos acontecimentos.

Dependendo do conteúdo da acusação e da conduta de quem a realizou, também pode ser necessário analisar se existem possíveis consequências jurídicas para o denunciante.

Por exemplo, uma situação pode envolver crimes contra a honra ou outras condutas, dependendo do que foi efetivamente declarado e das circunstâncias.

Entretanto, simplesmente não conseguir provar uma acusação não significa automaticamente que a pessoa que a apresentou tenha cometido um crime.

O que acontece se houver um boletim de ocorrência contra mim?

O boletim de ocorrência é um registro de fatos levado ao conhecimento da autoridade policial.

Ele não equivale a uma condenação criminal.

A partir das informações apresentadas, as autoridades podem avaliar a necessidade de investigação e a realização de diligências para esclarecer o que aconteceu.

Por isso, se existe um boletim de ocorrência contra você, é importante descobrir exatamente quais fatos foram registrados e avaliar a melhor forma de exercer sua defesa.

E se já existe um inquérito policial?

O inquérito policial é um procedimento destinado à apuração de uma possível infração penal e de suas circunstâncias.

Ser investigado em um inquérito também não significa que a pessoa será necessariamente denunciada ou condenada.

Durante essa fase, podem ser realizadas diversas diligências para esclarecer os acontecimentos, como depoimentos, perícias, análise de documentos e outras medidas previstas em lei.

A defesa pode atuar de acordo com as possibilidades jurídicas existentes em cada situação.

Fui denunciado pelo Ministério Público. Ainda posso me defender?

Sim.

Se o Ministério Público oferecer denúncia e ela for recebida pelo Poder Judiciário, terá início uma ação penal, na qual o acusado continuará tendo direito ao contraditório e à ampla defesa.

Nesse momento, a defesa poderá apresentar sua versão dos fatos, questionar os elementos apresentados pela acusação e requerer as provas cabíveis.

A existência de uma ação penal também não significa que haverá condenação.

O processo deverá seguir seu procedimento legal e a responsabilidade criminal deverá ser analisada pelo Poder Judiciário.

Como provar que não cometi o crime?

Não existe uma única forma de provar uma alegação de inocência.

A estratégia dependerá do crime investigado e das circunstâncias do caso.

Podem ser relevantes, por exemplo:

  • testemunhas;
  • documentos;
  • registros eletrônicos;
  • imagens de câmeras de segurança;
  • dados de localização;
  • conversas;
  • perícias;
  • registros bancários;
  • comprovantes de presença em determinado local;
  • outros elementos que contradigam a narrativa apresentada pela acusação.

A defesa deve avaliar quais provas são juridicamente pertinentes e como elas podem ser apresentadas no momento adequado.

Devo procurar a pessoa que me acusou para esclarecer a situação?

Em regra, não é recomendável tentar resolver uma acusação criminal diretamente com a pessoa envolvida sem antes avaliar as consequências jurídicas dessa iniciativa.

Dependendo da situação, um contato pode ser interpretado de maneira diferente daquela pretendida ou até gerar novos conflitos.

Se houver investigação ou processo, é especialmente importante evitar qualquer comportamento que possa ser interpretado como ameaça, constrangimento ou tentativa de interferência na apuração.

Posso ser preso mesmo sendo inocente?

A prisão cautelar possui requisitos próprios e não representa uma declaração definitiva de culpa.

Em determinadas circunstâncias previstas em lei, pode haver prisão antes do julgamento, como nos casos de prisão preventiva quando presentes os requisitos legais.

Por isso, receber uma acusação não significa automaticamente que haverá prisão.

Se houver risco de uma medida cautelar, a situação deve ser analisada imediatamente por um advogado, considerando os fatos concretos e a fase da investigação ou processo.